A GRÉCIA ANTIGA
Devido à presença marcante do
mar e das montanhas, o território grego tem um aspecto fragmentado. Essa
fragmentação geográfica facilitou a fragmentação política da Grécia, isto é,
nunca houve um Estado grego unificado. Assim, o que chamamos de Grécia nada
mais é do que o conjunto de diversas cidades-Estado gregas, independente umas
das outras e, muitas vezes, rivais.
POVOAMENTO
O povoamento da Grécia Antiga
foi lento. Os povos que mais contribuíram para esse processo foram os aqueus,
os jônios, os eólios e os dórios. Os aqueus, os primeiros a chegarem,
conseguiram conquistar a ilha de Creta, outras ilhas do mar Egeu e Tróia,
cidade comercialmente desenvolvida que servia de porta de entrada para o mar
Negro. Com essas conquistas, os aqueus passaram a influenciar todo o
Mediterrâneo Oriental.
No século XII a. C., ocorreram
as invasões dos dórios, um povo violentíssimo que arrasou as principais cidades
aqueias, provocando um acentuado declínio da vida urbana da Grécia
Continental. A partir daí, a
movimentada e interessante história da Grécia Antiga, pode ser dividida em
quatro períodos:
Período Homérico -(1700 a.C. -
800 a.C.)
Período Arcaico -(800 a.C. -
500a. C.)
Período Clássico - (500 a.C. -
338 a. C.)
Período Helenístico - (338 a.C. - 30 a.C.)
PERÍODO HOMÉRICO (1700 a.C. - 800 a.C.)
O período mais antigo da
História grega recebe esse nome porque os poucos conhecimentos que temos sobre
ele foram transmitidos por dois poemas, a Ilíada e a Odisseia, atribuídos ao
poeta grego Homero. A Ilíada narra a guerra realizada pelos gregos contra Tróia
(Ílion), na Ásia Menor, e a Odisseia descreve as aventuras de Ulisses
(Odysseus) ao tentar regressar, depois da Guerra de Tróia, à sua ilha natal de
Ítaca, para se reunir à mulher e ao filho.
A sociedade nos tempos
homéricos estava organizada em genos. Os genos era uma comunidade formada por
uma numerosa família cujos membros eram descendentes de um mesmo ancestral.
Todos os indivíduos da família gentílica viviam no mesmo lar, cultuavam o mesmo
antepassado e eram liderados por um patriarca, que exercia o poder religioso, a
chefia militar em época de guerra e era o responsável pela organização das
atividades econômicas.
A economia baseava-se na
propriedade comunitária da terra. Os gregos cultivavam cereais, uvas e
oliveiras. Além disso, criavam cabras, ovelhas, cavalos e vacas. Produziam
também excelente cerâmica, tecidos rústicos, armas e embarcações. O comércio
limitava-se à simples troca de mercadorias.
No final do Período Homérico,
o crescimento demográfico e a falta de terras férteis provocavam uma crise cuja
consequência foi a desagregação das comunidades baseadas no parentesco. As
terras coletivas foram desigualmente divididas, dando origem à propriedade
privada e a uma maior diferenciação entre as classes sociais. A sociedade
passou a ser constituída por uma poderosa aristocracia rural, por um
contingente de pequenos agricultores e por uma maioria de pessoas que nada
possuíam.
A desagregação do sistema
gentílico restabeleceu a escravidão deu origem às Cidades-Estados gregas, como
Corinto, Tebas, Mileto e, às principais, Atenas e Esparta. Portanto, as mais
importantes consequências da desintegração do sistema gentílico foram:
• a origem da propriedade
privada da terra;
• a origem de uma sociedade
dividida em classes sociais, caracterizada por profundas diferenças entre a
aristocracia, dona das melhores terras, os pequenos proprietários e os
sem-terra;
• o restabelecimento da
escravidão;
• a origem das Cidades-Estados gregas
ORIGEM DAS CIDADES-ESTADOS
Os gregos não se consideravam
parte integrante de uma nação, mas membros de uma cidade-estado. Essas cidades
nasceram do desejo de proteção dos camponeses. Eles, para se protegerem dos
ataques dos inimigos, passaram a construir uma fortaleza numa colina central do
vale. Quando o inimigo atacava, buscavam refúgio com os animais dentro das
muralhas de madeira da fortaleza. Com o tempo
as populações foram abandonando as aldeias e instalando-se perto das
muralhas. Por volta de 600 a.C., quase toda a população da região morava em
cidades construídas em volta dessas fortalezas, onde passaram a erguer uma
segunda muralha. Surgiu assim a pólis, a cidade-estado grega. Cada uma tinha
suas leis, seu governo, sua própria moeda. Às vezes, numa pequena superfície,
havia muitas cidades-estados: três numa minúscula ilha ou cinco numa estreita
planície. Sabe-se da existência de aproximadamente 1500 cidades.
Nas cidades-Estado, o cidadão
grego foi conquistando direitos e contribuindo, individualmente, para a vida social.
Livre para pensar e agir, sentia-se como membro da polis e não como um objeto
que pudesse ser manobrado pelos governantes. A palavra político, de origem
grega, designava o cidadão que participava dos destinos da polis.
PERÍODO ARCAICO (800 a.C. – 500 a.C.)
Esse período caracterizou-se
pelo desenvolvimento das cidades-estados, pela emigração e pela fundação de
colônias gregas em regiões longínquas. O território havia-se tornado pequeno
para atender o crescimento da população. Por isso, numerosos agricultores foram
em busca de possibilidades de subsistência fora da Grécia, formando assim novas
colônias gregas em diversas regiões do Mediterrâneo e do Mar Negro. Os gregos
fundaram, entre outras, Bizâncio, Odessa, Siracusa, Tarento, Nápoles, Nice, Marselha,
Nicósia e Síbaris.
A expansão colonizadora favoreceu mais as cidades do litoral, que dispunham de bons portos e numerosos navios mercantes. As cidades do interior, que dependiam basicamente da agricultura, mantiveram-se isoladas. Além disso, a concorrência dos produtos importados contribuiu para arruinar os pequenos agricultores e para aumentar ainda mais a concentração de terras nas mãos da aristocracia. Isso desencadeou a luta entre o povo (demos, em grego) e a aristocracia. Nas Cidades-Estados em que a vitória coube a nobreza, consolidou-se o regime aristocrático. Naquelas em que o demos foi vitorioso, as reformas conduziram, pouco a pouco, ao regime democrático.
PERÍODO CLÁSSICO (500 a.C. - 338 a.C.)
No século V a.C., sob o governo
de Péricles, Atenas tornou-se a cidade mais importante da Grécia, e a
civilização grega atingiu seu maior esplendor. Esse século, considerado pelos
historiadores a Idade do Ouro da Civilização grega, ficou conhecido também como
Século de Péricles. Nessa época as cidades gregas se uniram para enfrentar um
perigo externo: o avanço dos persas. Primeiro foi o Rei Dario que atacou. Ele
foi derrotado pelos atenienses em 490 a.C., na batalha de Maratona. Essa foi a
primeira Guerra Médica. Depois veio seu sucessor, Xerxes, que também foi
derrotado, agora pela esquadra grega sob o comando do ateniense Temístocles, na
célebre batalha naval de Salamina (480 a.C.). Foi a segunda Guerra Médica.
No governo de Péricles Atenas
conheceu um notável desenvolvimento artístico e literário e se modernizou com a
construção de grandes monumentos. A democracia atingiu, então, seu apogeu: os
tribunais populares passaram a ter autoridade para julgar qualquer causa, o
partido aristocrata foi destruído e houve uma reforma na Constituição
ateniense. Com essa reforma, os cidadãos pobres ampliavam suas possibilidades
de influir na organização política do Estado, pois passavam a ser remunerados
por sua participação nas sessões.
PERÍODO HELENÍSTICO (338 a.C. - 30 a.C.)
Após
a Guerra do Peloponeso, a Grécia continuou agitada por lutas entre
cidades-estados. Filipe, rei da Macedônia, aproveitou-se dessa situação e, em
338 a. C., dominou toda a Grécia. Com a sua morte em 336 a.C., sucedeu-lhe seu
filho Alexandre. Este, depois de sufocar uma tentativa de revolta em Tebas,
conduziu seu poderoso exército de 40.000 homens para uma guerra contra Dario
III, rei da Pérsia. Esmagou os persas, foi acolhido no Egito como libertador,
pois, nessa época, o Egito estava sob domínio dos persas. Lá fundou Alexandria
e tornou-se faraó. Após a morte de
Alexandre, em 323 a.C., seu gigantesco império foi dividido entre seus
generais. No século II a.C., demasiado enfraquecidos por várias lutas, não
conseguiram resistir ao crescente domínio de Roma.
O período helenístico é caracterizado
principalmente por uma ascensão da ciência e do conhecimento. A cultura
essencialmente grega se torna dominante nas três grandes esferas atingidas pelo
Helenismo, a Macedônia, a Síria e o Egito. Mais tarde, com a expansão de Roma,
cada um desses reinos será absorvido pela nova potência romana, dando espaço ao
que historicamente se demarca como o final da Antiguidade. Antes disso, porém,
os próprios romanos foram dominados pelos gregos, submetidos ao Helenismo, daí
a cultura grega ser depois perpetuada pelo Império Romano.
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