A organização social dos mesopotâmios
Política e Sociedade
A sociedade era estratificada,
tendo como categorias menos privilegiadas os camponeses e escravos. Também na
Mesopotâmia os escravos eram prisioneiros de guerra e serviam à comunidade como
um todo, não sendo propriedade particular.
Acima dos trabalhadores havia
a camada composta por artesãos, comerciantes, militares e funcionários
públicos. A aristocracia, grupo mais privilegiado da sociedade mesopotâmica,
compunha-se dos sacerdotes e familiares do monarca.
Havia sempre uma classe
privilegiada que dizia o que o resto das pessoas tinha de fazer. Na sociedade
dos sumérios, os juízes eram os privilegiados. Na sociedade dos assírios, os
militares ditavam as leis. Os caldeus obedeciam àquilo que os sacerdotes lhes
impunham. Além da classe privilegiada, a sociedade dos povos da Mesopotâmia
contava com uma corte de nobres, formada pelos descendentes das famílias mais
antigas. A grande maioria de homens livres era composta de soldados e
lavradores que eram obrigados a construir os canais e os diques quando não
havia escravos disponíveis. Os escravos eram, quase sempre, prisioneiros de
guerra.
Não podemos esquecer que os
povos da Mesopotâmia foram as primeiras sociedades que adotaram um código de
justiça: o Código de Hamurabi. Isso pôs fim à arbitrariedade dos juízes, pois
os próprios juízes tinham de respeitar o código. O código também fixou as
categorias sociais, ou seja, dizia se um homem pertencia à nobreza ou se era um
escravo; também organizava a família e a riqueza.
Politicamente, a Mesopotâmia
foi governada por monarquias teocráticas em que o poder estava concentrado nas
mãos do soberano, tal como no Egito. O rei, os funcionários públicos, os
sacerdotes e a nobreza formavam a elite política que controlava as melhores
terras, a produção, subjugando e explorando a grande massa da população.
Os territórios que formavam o
império podiam ser de dois tipos: existiam as províncias submetidas, ocupadas
pelos conquistadores, e as províncias vassalas, isto é, províncias que
mantinham seu próprio governo, mas tinham de pagar impostos em troca dessa
liberdade vigiada. Além de pagar tributos em ouro e em soldados, as províncias
vassalas podiam manter seus costumes; não eram obrigadas a falar a língua do
dominador nem rezar pelos seus deuses.
Economia
As principais atividades
econômicas eram a agricultura e o comércio. Os mesopotâmios desenvolveram
também a tecelagem, fabricavam armas, joias e objetos de metal; mantinham
escolas profissionais para o aprimoramento de fabricação de armas e cerâmicas.
O artesanato e o comércio
tiveram um grande desenvolvimento, principalmente com a troca de produtos
agrícolas e artesanais por matéria–prima com as regiões vizinhas, através das
caravanas que iam da Arábia à Índia. E pelo mar através do Golfo Pérsico, com
navios fenícios. Através disso, as cidades tornaram-se importantes polos
comerciais.
A Mesopotâmia manteve sempre
permanente contato com os povos vizinhos. Babilônia e Nínive eram ligadas entre
si por canais e eram as duas cidades mais importantes. A navegação nos rios
Tigre e Eufrates era feita em barcos.
Os comerciantes andavam em
caravanas, levando seus produtos aos países vizinhos e às regiões mais
distantes. Exportavam armas, tecidos de linho, lã e tapetes, além de pedras
preciosas e perfumes. Dessas terras traziam as matérias-primas que faltavam na
Mesopotâmia, como o Marfim da Índia, o Cobre de Chipre e a madeira do Líbano.
A religião
Os povos da Mesopotâmia eram
politeístas, acreditavam em muitos deuses. Cada cidade tinha o seu deus
protetor, que se comunicava com os homens por meio dos astros e das estrelas,
do vento, da chuva, dos raios e das tempestades. Além desses deuses, os povos
da Mesopotâmia acreditavam em espíritos do bem e do mal que lutavam para
dominar o homem. Os magos e os feiticeiros eram os encarregados de agradar os
deuses por meio de ritos.
Os assírios e os caldeus
acreditavam nas mensagens dos astros. Eles foram responsáveis pelo
desenvolvimento da astrologia, que ainda hoje é muito popular.
Os mesopotâmicos adoravam
diversas divindades e acreditavam que elas eram capazes de fazer tanto o bem
quanto o mal. Os deuses diferenciavam-se dos homens por serem mais fortes,
todo-poderosos e imortais. Cada cidade tinha um deus próprio, e, quando uma
alcançava predomínio político sobre as outras, seu deus também se tornava mais
cultuado. No tempo de Hamurábi, por exemplo, o deus Marduc da Babilônia foi
adorado por todo o império. A divindade feminina mais importante era Ihstar,
deusa da natureza e da fecundidade.
Os Sumérios consideravam como
principal função a desempenhar na vida, o culto a seus deuses e quando
interrompiam as orações, deixavam estatuetas de pedra que os representavam
diante dos altares, para rezarem em seu nome.
Aspectos Culturais
Os povos da Mesopotâmia
desenvolveram principalmente a astronomia e a matemática.
A Astronomia - Entre os babilônicos, foi a
principal ciência. Notáveis eram os conhecimentos dos sacerdotes no campo da
astronomia, muito ligada e mesmo subordinada a astrologia. As torres dos
templos serviam de observatórios astronômicos. Conheciam as diferenças entre os
planetas e as estrelas e sabiam prever eclipses lunares e solares. Dividiram o
ano em meses, os meses em semanas, as semanas em sete dias, os dias em doze
horas, as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos.
A Matemática - Entre os
caldeus, alcançou grande progresso. As necessidades do dia-a-dia levaram a um
certo desenvolvimento da matemática. Os mesopotâmicos usavam um sistema
matemático sexagesimal (baseado no número 60). Eles conheciam os resultados das
multiplicações e divisões, raízes quadradas e raiz cúbica e equações do segundo
grau. Os matemáticos indicavam os passos a serem seguidos nessas operações,
através da multiplicação dos exemplos. Jamais divulgaram as formulas dessas
operações, o que tornaria as repetições dos exemplos desnecessárias. Também
dividiram o círculo em 360 graus, elaboraram tábuas correspondentes às tábuas
dos logaritmos atuais e inventaram medidas de comprimento, superfície e
capacidade de peso.
O edifício característico da
arquitetura suméria é o zigurate, depois muito copiado pelos povos que se
sucederam na região. Era uma construção em forma de torre, composta de
sucessivos terraços e encimada por um pequeno templo. Nas obras arquitetônicas
os mesopotâmicos usavam tijolos cozidos (pois a pedra era muito cara) e
ladrilhos esmaltados. Preferiam construir palácios. As habitações de escravos e
homens de condições mais humildes eram às vezes, simples cubos de tijolos crus,
revestidos de barro. O telhado era plano e feito com troncos de palmeira e
argila comprimida. As casas simples não tinham janelas e à noite eram
iluminadas por lampiões de óleo de gergelim.
Os assírios decoravam suas
construções com baixos-relevos, já que não sabiam como fazer tintas para
pintar. Também deixaram suas lendas e seus mitos escritos nos muros de seus
templos.
Embora a roda do oleiro
tivesse sido inventada nos tempos pré-históricos, foram os Sumérios que
construíram os primeiros veículos de rodas. Desenvolvendo os conhecimentos
adquiridos pelos Sumérios, os Babilônicos fizeram novas descobertas, como o
Calendário e o relógio de Sol. Os Caldeus, sem dúvida, os mais capazes
cientistas de toda a história mesopotâmica, tendo deixado importantes
contribuições no campo da astronomia. Os mesopotâmios também conheciam pesos e
medidas.
Podemos citar como legado dos povos
Mesopotâmicos, vários elementos de nossa própria civilização, como: O ano de 12
meses e a semana de 07 dias; A divisão do dia em 24 horas; A crença nos
horóscopos e os dozes signos do zodíaco; O habito de fazer o plantio de acordo
com as fases da lua; O círculo de 360 graus; O processo aritmético da
multiplicação.
A invenção da escrita é
atribuída aos Sumérios. Eles escreviam na argila mole com o auxílio de pontas
de vime. O traço deixado por essas pontas tem a forma de cunha, daí o nome de
“escrita cuneiforme”. Com cilindros de barro, os mesopotâmicos faziam seus
contratos, enquanto no Egito se usava o papiro. Em 1986, foi descoberta por
arqueólogos, perto de Bagdá, Capital do Iraque, uma das mais antigas
bibliotecas do mundo, datada do século X a.C. A biblioteca continha cerca de
150.000 tijolos de argila com inscrições sumerianas. A escrita cuneiforme,
criada pelos sumérios, foi decifrada pelos estudiosos ingleses Grotefend e
Rawlinson.
No campo literário, o destaque
fica para duas obras sumerianas: o Mito da Criação, que resgata a origem do
mundo através do mito de Marduk, e a Epopéia de Gilgamesh, que conta a lenda do
Dilúvio.
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