Os árabes e o islamismo
Mobilizados pelo profeta
Maomé, entraram em choque com a civilização bizantina e com os novos reinos da
Europa ocidental. Os muçulmanos construíram a civilização mais brilhante da
Idade Média, assimilando o patrimônio cultural dos povos do Oriente Médio e do
Extremo Oriente. Atualmente, o islamismo
conta com milhões de seguidores em todo o mundo.
A península dos árabes
A Arábia é um imenso deserto
de pedras e areia. Seus escassos habitantes se fixaram na costa do mar Vermelho
e nos oásis do interior. A península Arábica era habitada por tribos de
beduínos semitas, da mesma origem dos judeus, fenícios e assírios.
Os beduínos da Arábia eram
pastores de rebanhos de cabras e camelos. Sua principal atividade era o
comércio entre os oásis do interior e o litoral. Nas aldeias, tais como Meca e
Yatrib, cultivavam a terra.
Islão
A história da Arábia costuma
ser dividida em duas grandes fases:
• Arábia pré-islâmica –
período anterior à fundação do islamismo.
• Arábia islâmica – período
caracterizado pelo islamismo.
Arábia pré-islâmica
Viviam na península Arábica
diversos povos semitas, destacando-se os:
• Árabes beduínos – povos
seminômades que vagavam pelos desertos. Organizados em tribos, dedicavam-se á
criação de animais (ovelhas, cabras, camelos);
• Árabes urbanos – povos
sedentários que habitavam as cidades próximas ao litoral. Dedicavam-se sobretudo
ao comércio, sendo responsáveis pelas caravanas de camelos que transportavam
produtos do Oriente para as regiões do mar Mediterrâneo.
Até o século VII, os árabes
não eram politicamente unidos, isto é, não formavam um estado. Mas tinham
elementos comuns, como o idioma árabe e as crenças religiosas. Eram politeístas
e adoravam cerca de 360 divindades.
Numa tentativa de dar maior
unidade às diversas tribos árabes, foi construído na cidade de Meca um templo
religioso, a Caaba (‘casa de Deus’), que reunia as principais divindade de toda
a Arábia. Na Caaba encontra-se a pedra negra (pedaço de meteorito), que
acreditam ter sido trazida do céu pelo anjo Gabriel.
Devido ao templo, Meca
tornou-se o centro religioso e comercial dos árabes, pois a cidade
transformou-se em ponto de encontro de pessoas e mercadorias de diversas
regiões.
Arábia islâmica
Maomé (570 – 632) foi o
fundador do islamismo, religião monoteísta, também chamada de religião
muçulmana ou maometana.
Em suas pregações religiosas,
Maomé dizia que todos os ídolos da Caaba deviam ser destruídos, pois havia um
único Deus criador do universo. Isso provocou a reação dos sacerdotes de Meca,
que eram politeístas e tinham interesses em manter a cidade como centro
religioso e comercial dos árabes.
Devido a suas pregações, Maomé
foi obrigado a fugir de Meca para Yathrib (posteriormente denominada Medina, ‘a
cidade do profeta’), em 622. esse episódio, conhecido como hégira, marca o início
do calendário muçulmano.
Aos poucos, Maomé conseguiu
difundir sua religião em Medina e organizar um exército de seguidores que, em
630, conquistou Meca e destruiu os ídolos da Caaba.
A Caaba foi transformada num
centro de orações, e a crença politeísta foi proibida.
A partir daí, Maomé expandiu o islamismo por
toda a Arábia, unificando as diversas tribos em torno da religião. Assim,
através da identidade religiosa, criou os árabes uma nova organização política
e social.
Doutrina islâmica:A submissão a Alá
O Islamismo prega a submissão
total do homem à vontade de Alá, o Deus único, criador de todo universo. Essa
submissão é chamada de Islão, e aquele que tem fé em Alá é denominado muçulmano
(do árabe muslim).
Os princípios básicos do
Islamismo estão contidos nas seguintes regras fundamentais:
• Crer em Alá, o Deus único, e
em Maomé, o seu grande profeta.
• Fazer cinco orações diárias.
• Ser generoso para com os
pobres e dar esmolas.
• Cumprir o jejum religioso
durante o Ramadã (mês do jejum).
• Ir em peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida.
Alcorão
As revelações feitas por Alá a
Maomé foram reunidas por seus discípulos no livro sagrado Alcorão (‘a
leitura’).
Além de orientações puramente
religiosas, o alcorão que contribui para a preservação da ordem social e dos
interesses dos grandes comerciantes. Proíbe, por exemplo, que os fiéis comam
carne de porco, consumam bebida alcoólica, pratiquem jogos de azar. O roubo é
severamente punido. A poligamia e a escravidão são permitidas.
Maomé
Maomé nasceu em Meca em 570.
Era pastor e cuidava de caravanas de camelos. A tradição conta que Maomé
recebeu uma revelação do Arcanjo Gabriel, segundo a qual Alá o escolhera para
pregar a mensagem de salvação entre seus irmãos árabes: o Islã, que significa a
“submissão à vontade divina”.
Os ensinamentos de Maomé
fortaleceram os laços familiares entre os árabes. A mulher deixou de ser
escrava para tornar-se companheira. A poligamia, o costume de manter muitas
mulheres, teve seu limite fixado em quatro esposas.
Os sunitas e os xiitas
Após a morte de Maomé, a
religião islâmica não conseguiu manter-se plenamente unificada. Dividiu-se em
diversas seitas, dentre as quais destacam-se a dos sunitas e xiitas.
As principais diferenças, no plano religioso e político, que separam os sunitas dos xiitas são:
Sunitas – defendem que o chefe
do Estado muçulmano (califa) deve reunir sólidas virtudes (honra, respeito
pelas leis, capacidade de trabalho), mas não acham que ele deve ser infalível
ou implacável em suas ações. Além do Alcorão, aceitam como fonte de
ensinamentos religiosos as Sunas, livro que reúne o conjunto de tradições
recolhidas com os companheiros de Maomé.
Xiitas – defendem que a chefia
do Estado muçulmano só pode ser ocupada por alguém que seja descendente do
profeta Maomé ou com ele aparentado. Afirmam que o chefe da comunidade islâmica
é pessoa diretamente inspirada por Alá e que os fiéis lhe devem obediência
absoluta.
Atualmente, a maioria dos
seguidores do xiismo encontra-se no Irã, no Iraque e no Iêmen. Nas demais
regiões do mundo islâmico, predominam os seguidores do sunismo (aproximadamente
84% dos atuais muçulmanos).
EXPANSÃO ÁRABEFormação do Império Islâmico
Com a morte do profeta, seu
sogro, Abu-Beker, se proclama califa, palavra que significa sucessor, e governa
em nome do profeta. O califa era um misto de chefe político e religioso. Tinha
como missão preparar os árabes para a conquistada Terra. Abu-Beker foi sucedido
pelo califa Omar. Durante seu governo de onze anos, deu-se o início da expansão
muçulmana. Guerreiros do Islã atacaram a Pérsia e o Império Bizantino, ambos
debilitados por lutas internas.
São várias as razões dessa
expansão. Entre elas, destacam-se:
- a busca de terras férteis;
- o interesse na ampliação das
atividades comerciais;
- as guerras santas contra os
“infiéis”, ou seja, a luta para difundir e preservar o islamismo.
Fases da expansão
As grandes etapas da expansão muçulmana foram:
Primeira etapa (632-661) –
período dos califas eleitos que sucederam Maomé. Conquistas da Pérsia, da
Síria, da Palestina e do Egito.
Segunda etapa (661-750) –
período da dinastia dos califas Omíadas. A capital foi transferida para
Damasco. Conquistas, por exemplo, do noroeste da China, do norte da África e de
quase toda a península Ibérica. O avanço árabe (ou serracenos) ao Reino Franco
foi barrado por Carlos Martel, na Batalha de Poitiers, em 732.
Terceira etapa – (750-1258) –
período da dinastia dos califas Abássidas, marcado pela ascensão dos persas
rumo ao mundo islâmico. Nessa fase, a capital foi transferida para Bagdá. As
conquistas muçulmanas ainda avançaram pela Europa, na parte sul da península
Itálica.
Relacionamento com os povos conquistados
O vasto Império Muçulmano era
composto por uma grande variedade de povos. Os árabes procuraram relacionar-se
com esses povos conquistados de uma maneira prática e, tanto quanto possível,
pacífica. Não obrigavam os povos conquistados a aderir ao islamismo, apenas
impunham o pagamento de tributos à administração árabe (o imposto do infiel).
Quando esses povos eram submetidos às autoridades muçulmanas, costumava-se
respeitar a cultura e os costumes locais. Se houvesse, porém, resistência à
dominação árabe, o tratamento era rude e impiedoso.
Diversificação econômica
Nas regiões conquistadas, os
muçulmanos desenvolveram uma produção agrícola variada graças à construção de
grandes obras de irrigação, que tornaram produtivas terras antes estéreis e
empobrecidas. Cultivavam lavouras adaptadas ao clima de cada região e
destinadas à produção de trigo, algodão, arroz, linho, cana-de-açúcar,
espinafre, café, oliveira, laranja e outros produtos.
Ao mesmo tempo em que
ampliavam seus territórios, os muçulmanos expandiam a atividade comercial,
dominando as grandes rotas, desde as regiões da atual Índia até a península
Ibérica.
Viajantes do mar e da terra,
os muçulmanos realizaram negócios em diferentes regiões do mundo. Navegavam
constantemente pelo mar Mediterrâneo, oceano Índico, mar Vermelho e golfo Pérsico,
detendo assim, o controle do comércio entre Oriente e Ocidente. Por terra,
percorriam, em caravanas de camelos, regiões da África, Índia, China e Rússia.
Também se tornaram habilidosos
comerciantes, criando diversos instrumentos jurídicos para a realização dos
negócios: cheques, letras de câmbio, recibos e sociedades comerciais.
O intenso comércio muçulmano foi acompanhado de significativo desenvolvimento da produção artesanal, responsável por grande parte dos artigos comerciais. Em Bagdá (no atual Iraque), por exemplo, produziam-se joias, vidros, cerâmicas e sedas; em Damasco (na atual Síria), destacou-se a produção metalúrgica de armas e ferramentas, além de seu famoso tecido de seda e linho; em Toledo (na atual Espanha), produziam-se ótimas espadas, cobiçadas pelos cavaleiros medievais.
Declínio do império
A partir do século VIII, o
poder central nos vários territórios conquistados pelos muçulmanos passou a
enfrentar crises internas, provocadas, em sua maior parte, pelas rivalidades
entre os califas. Essas disputas levaram ao desmembramento do Império Islâmico
e à formação de Estados muçulmanos independentes, como o de Córdoba (na atual
Espanha) e o do Cairo (no atual Egito).
No plano externo, os árabes
enfrentaram a reação de povos conquistados. Na península Ibérica, por exemplo,
os cristão uniram-se para expulsá-los de seus territórios. Já no Oriente, entre
os séculos XIII e XV, uma série de povos invasores acabou conquistando os
territórios dominados pelos árabes.
No entanto, o islamismo
manteve seu predomínio em grande parte dos novos Estados que surgiram com o fim
do Império Islâmico. Atualmente,
países de diferentes regiões do mundo – como o norte da África, parte da Ásia e
o sudoeste da Europa – são islâmicos.
Cultura árabeDifusão de descobertas e
conhecimentos
Durante a Idade Média, os
árabes assimilaram e reelaboraram produções culturais de diversos povos,
criando, ao mesmo tempo, uma cultura rica e singular.
Em muitas situações, eles
difundiram aspectos econômicos e culturais do Oriente e do Ocidente. Foi, por
exemplo, por intermédio deles que chegaram à Europa inventos dos povos
orientais, como a bússola, a pólvora e o papel. E também muitos textos da
Antiguidade Clássica, como as obras de Aristóteles.
Na ciência, podemos destacar contribuições árabes nas
seguintes áreas:
Matemática – introduziram os
algarismos hindus, que ficaram conhecidos como algarismos arábicos, e o numeral
zero. Além disso, desenvolveram a álgebra e a trigonometria;
Medicina – descobriram
técnicas cirúrgicas e revelaram as causas de doenças contagiosas, como a
varíola e o sarampo;
Química – descobriram
substâncias como o ácido sulfúrico, o salitre e o álcool, além de desenvolverem
o processo de utilização de diversos elementos químicos.
A expansão islâmica também
levou à difusão do idioma árabe, que era a “língua oficial” do mundo islâmico.
Por isso, diversos idiomas contam com muitas palavras de origem árabe, como, no
caso do português, as palavras arroz, café, algarismo, álgebra, álcool, frango,
sorvete, jarra, alface, azeite, tarifa, açúcar, entre tantas outras.
Arte
A literatura foi marcada pela
ampla influência dos contos e das fábulas maravilhosas, destacando-se obras
como As mil e uma noites, Rubayat e As aventuras de Simbad, o marujo. Nessas
narrativas, encontramos a presença de elementos culturais de diversos lugares,
como o Egito, a Pérsia e a Índia.
A arquitetura teve como obra
mais representativa as mesquitas (templos religiosos), que utilizavam como
elementos os minaretes (imponente torres, as cúpulas douradas, os arcos em
ferradura e uma esplendorosa decoração baseada em motivos geométricos ou
vegetais, denominada arabescos.
A escultura e a pintura receberam pouca atenção dos
muçulmanos, devido a severa proibição religiosa da idolatria, que
desaconselhava a reprodução de figuras humanas em estátuas ou em quadros. Disso
decorre a grande utilização de arabescos, com suas composições estilizadas,
muito empregados na brilhante tapeçaria árabe.
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