Os cretenses e a civilização minoica
A civilização minoica
desenvolveu-se a partir de 2000 a.C., na ilha de Creta, situada no mar Egeu,
podendo, por isso, ser também chamada de civilização egeia.
Os cretenses tinham no
comércio marítimo a base de sua economia, por isso, o poder concentrou-se nas
mãos de uma elite comercial, liderada por reis chamados Minos.
Estes viviam em luxuoso
palácio, na cidade de Cnossos, capital do reino. Exportavam azeite e vinho e
importavam cereais, ouro, prata e marfim. Essas atividades econômicas
enriqueceram a população cretense, que estendeu sua influência às ilhas
vizinhas.
Os Cretenses deixaram poucos
vestígios de sua existência e o conhecimento sobre eles só pôde ampliar-se em
função da recente descoberta das ruínas de Cnossos e da decifração de sua
escrita.
O palácio de Cnossos era uma
enorme construção. Possuía um sistema hidráulico único no mundo da época: uma
intrincada rede subterrânea de canos de cerâmica trazia água fresca para as
banheiras, as fontes e as cozinhas, enquanto outra escoava a água suja. Seus
armazéns guardavam cereais, vinho e azeite em grandes vasos de cerâmica (alguns
com quase 2 m de altura). Nos depósitos subterrâneos ficavam os cofres de ouro,
prata e marfim. Essas riquezas, provenientes de impostos e presentes doados ao
rei, eram destinadas as divindades.
Em Creta, a mulher desfrutava
dos mesmos direitos e obrigações que os homens, constituindo fato inédito na
Antiguidade. A importância feminina transparecia na religião, no culto à
principal divindade cretense, a deusa Grande Mãe. Isso faz supor que, na ilha,
sobrevivesse uma forte influência das sociedades matriarcais pré-históricas.
Nas escavações de Creta foram
encontradas muitas imagens de mulheres, de diferentes posições sociais:
sacerdotisas, dançarinas, esportistas ou damas da nobreza. Isso indica que na
sociedade minoica a mulher participava ativamente da vida da cidade e ocupava
lugar de destaque nas cerimônias religiosas.
A civilização minoica terminou
de forma violenta. Entre os anos de 1450 e 1400 a.C., a ilha sofreu a invasão
dos aqueus, um povo guerreiro da Grécia continental. Eles destruíram os
palácios e submeteram a população minoica, impondo-se como seus governantes.
Pouco depois, ocorreu uma violenta erupção vulcânica na ilha de Terá, próxima a
Creta. O terremoto e o maremoto que se seguiram atingiram Creta com tamanha
força que as construções foram ao chão, os barcos e o próprio porto foram para
o fundo do mar. Assim chegava ao fim a civilização minoica.
A libertação grega perante o Minotauro
Os gregos possuem uma lenda
para explicar sua origem. Tal lenda diz que no interior de um labirinto
habitava o Minotauro, mostro com cabeça de touro e corpo de homem. O Minotauro
dominava a Grécia, obrigando seu povo a pagar pesados tributos, entre os quais
a entrega de jovens gregos para servi-lo. O labirinto, em que se escondia o
Minotauro, impedia que os gregos pudessem enfrentar o monstro para libertar a
Grécia de seu terrível domínio.
Um dia, porém, um jovem grego
chamado Teseu decidiu acabar com o monstro. Auxiliado por Ariadne, uma das
servas do Minotauro, penetrou no labirinto, achou o monstro e destruiu-o,
conquistando a liberdade para a Grécia.
A lenda do Minotauro
estabelece relações significativas com o domínio de Creta sobre o território
grego. O nome do monstro deriva da denominação do soberano cretense: Minos.
Além disso, segundo recentes achados arqueológicos, o rei habitava um palácio,
em Cnossos, formado por inúmeros compartimentos, assemelhando-se muito a um
labirinto.
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