Os Paradigmas da História
Positivismo, Marxismo e Nova História
O
ensino como um todo está passando por um período de transição, com muitos
problemas e debates, sobre a importância do ensino, e o que realmente deve ser
ensinado nas escolas para que realmente a educação cumpra o seu papel de
formadora de cidadãos conscientes de sua importância na sociedade e mundo em
que estão inseridos. Dessa forma o ensino de História não foge à essas
discussões acerca das problemáticas da educação, principalmente no que tange ao
ensino em sala de aula.
As maiores problemáticas em relação ao ensino de História se referem as questões teórico-metodológicas e político-pedagógicas. Cabe então analisarmos mais profundamente as três correntes da historiografia atual que servem como embasamento teórico para os professores de História: o Positivismo, o Marxismo e a Nova História.
Positivismo
Corrente
teórica tradicional que surgiu no séc. XIX, como reação ao Idealismo de Kant e
Hegel, fundado por Augusto Comte. O momento histórico em que essa concepção
historiográfica foi criada insere-se em uma fase onde a burguesia tornava-se a
classe econômica hegemônica, e o positivismo representou a justificação e
legitimação da visão burguesa, servindo mais tarde como uma ideologia dessa
classe, garantindo a manutenção dessa nova ordem.
O
positivismo segundo Comte apresenta a lei dos três estágios que consiste
estabelecer três estágios de evolução do espírito humano: o estado teológico, o
estado metafísico e o estado positivo. Essa concepção tem uma característica
utilitarista, que propõe conhecer o passado, entender o presente e projetar o
futuro, que dessa forma busca a previsão e o conhecimento prévio dos fatos,
onde o futuro pode ser manipulado.
O
estudo da História segundo a concepção positivista, se restringe ao estudo dos fatos, que podem ser observados,
verificáveis e experimentáveis, tirando da história toda a sua subjetividade. O
historiador é uma pessoa neutra e objetiva, que não interfere de forma alguma
nos acontecimentos e na História. A fonte de estudo privilegiada nessa
concepção são as escritas, principalmente os documentos oficiais.
A
pesquisa nos documentos oficiais é realizada apenas no âmbito da descrição já
que eles não podem ser discutidos e analisados. Com isso a História é contada a
partir de uma estrutura política, privilegiando os governos e os governantes. A
sociedade assim como a natureza é regida por leis naturais e invariáveis,
independentes da vontade e da ação humana, e que caminha para um estágio final
de progresso, sem que haja retrocessos e atrasos durante a evolução dessa
sociedade.
Com a utilização dessa concepção por parte dos professores de História em sala de aula, os alunos não são estimulados a pensar, e buscar o conhecimento através de uma construção do mesmo.
Marxismo
Para
analisarmos a corrente marxista, devemos remontar as origens históricas dessa
tendência. No final do séc. XVIII, a burguesia libertou as forças produtivas do
domínio do feudalismo. A burguesia se apropriou dos meios de produção e dos
capitais gerados a partir da exploração de uma nova classe social - o
proletariado. A luta de classes levou o proletariado a buscar a explicação, e
consequentemente a tomada de consciência, do processo de exploração a que está
submetido. Nesse sentido, contrariamente ao positivismo, o marxismo procura
explicar a História do ponto de vista dos trabalhadores.
Nessa
concepção os fatos não podem ser medidos e experimentados, a abstração só pode
se dar na imaginação. Os fatos, os indivíduos são reais, e sua ação, suas
condições materiais de vida alteram a História. O historiador trabalha na
investigação do processo histórico concreto, e intervém de modo prático sobre
eles. A partir disso os acontecimentos não são acabados e a História não é
dada, mas sim construída socialmente pelos indivíduos que nela se inserem.
A estrutura econômica é privilegiada nessa tendência, com a produção material determinando as demais esferas da vida social. Há um aspecto comum com o positivismo, já que da mesma forma a História caminha para um fim inevitável, só que nesse caso não a um estágio positivo, mas a uma sociedade socialista/comunista, com a evolução dos modos de produção.
Nova História
Na primeira metade do século
XX, os historiadores franceses ligados à famosa Escola dos Anais promoveram
mudanças significativas na maneira de pensar e escrever a História, as quais
continuam ainda hoje em evidência, causando polêmicas. Marc Bloch, Lucien
Febvre e Fernando Braudel são considerados os maiores responsáveis por essas
mudanças, embora muitos outros tenham contribuído para que a História firmasse novas
formas de interpretação, preocupadas com as estruturas, as manifestações
culturais e a relação com os outros ramos do saber, tais como a sociologia, a
economia, a antropologia a demografia.
A Nova História, tributária da
Escola dos Anais, ocupou, por sua vez, um espaço importante nas universidades e
conseguiu também penetração expressiva no mercado editorial, sobretudo na
França. Historiadores como Jacques Le Goff, Georges Duby, Marc Ferro e tantos
outros tornaram-se conhecidos da mídia. A Nova História, com sua linguagem
próxima da literatura, sem o peso formal da linguagem acadêmica conquistou um
público amplo, constituído não apenas por historiadores.
A
Nova História costumou a ser dividida em 3 fases ou geração de estudiosos: a
primeira geração privilegiou a História econômica e social, a totalidade era
obtida na História econômica. A segunda geração privilegiou a História
econômica e preteriu a História social, já que esse período de pós-guerra
(1945) promoveu uma intensa industrialização, o que provocou uma atenção maior
dos estudiosos. Os anos 70 foram marcados para uns com a continuidade do
movimento a partir da terceira geração, e para outros como o rompimento
definitivo dos postulados da primeira e segunda gerações, e a opção pelo irracionalismo.
A partir dos anos 70 novos objetos de estudo foram anexados à essa nova
historiografia, temas que não eram contemplados pela historiografia
tradicional: cotidiano das pessoas comuns, e não das grandes figuras; História das mentalidades, a partir de temas
como: família, educação, sexo, festa, morte, alimentação, mulheres,
homossexuais.
Em substituição a História narrativa, entra em cena a História-problema, que procura explicar os problemas e as grandes interrogações da nossa época. O campo das pesquisas foi ampliado, livrando-se de preconceitos, quebrando fronteiras. Atualmente costuma-se dizer que tudo é História, e não apenas os feitos dos heróis, as grandes batalhas, as tramas das elites. Defende-se hoje que a história é uma tarefa coletiva, construída no cotidiano, e que, portanto, o ofício do historiador é dar conta da diversidade que resulta do pensar, sentir e agir de todos os homens.
Eixo Temático: As representações do saber histórico: significados sobre as experiências humanas.
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