Pré-história
Investigando nossas origens
A Pré-história corresponde ao
período que vai do surgimento do homem primitivo (hominídeo) até a invenção da
escrita.
Começa há 3,5 milhões de anos,
quando surgem os macacos hominídeos, antecessores do homem moderno. A
domesticação de animais, o surgimento da agricultura, a utilização dos metais e
a descoberta da escrita marcam o fim dessa fase.
O termo Pré-história tem sido
criticado, pois pode sugerir que o homem desse período não deva ser incluído na
História. Ora, o homem, desde seu aparecimento, é um ser histórico, ainda que
ele não utilizasse a escrita. Ela não deve significar que os acontecimentos da
pré-história são menos importantes do que os ocorridos em qualquer outro
momento do passado; ou que uma sociedade é superior a outra, seja pelo domínio da
escrita, de equipamentos técnicos seja por qualquer outro motivo.
Fontes para estudo da Pré-história
O homem pré-histórico deixou
uma série de vestígios de sua existência e de seu modo de vida: fósseis,
instrumentos, pinturas etc. Entre as ciências que pesquisam essas fontes
pré-históricas destacam-se a paleontologia Humana e a Arqueologia
Pré-histórica.
A Paleontologia Humana estuda
os fósseis dos corpos dos homens pré-históricos, geralmente ossos e dentes,
partes mais resistentes, que se preservaram ao longo do tempo.
A Arqueologia Pré-histórica
estuda objetos feitos pelo homem pré-histórico, procurando descobrir como eles
viviam. Instrumentos de pedra e metal, peças cerâmicas, sepulturas são alguns
desses objetos.
Evolução dos hominídeos
Todos os seres humanos
descendem do mesmo ancestral comum, o hominídeo, cujos fósseis mais antigos
foram localizados no continente africano. As primeiras espécies encontradas
foram o Australopithecus e o Homo habilis.
O Australopithecus possuía uma
arcada dentária e um esqueleto idênticos aos do homem atual. Além disso, já
andavam sobre dois pés e possuía um cérebro pequeno. Já o Homo habilis foi o
primeiro a fabricar e utilizar instrumentos para diversos fins, além de já ter
domínio sobre o fogo.
Os restos de hominídeos mais
antigos são os do Australopithecus afarensis, de cerca de 3 milhões de anos,
encontrados em Afar (Etiópia) em 1925. A evolução do afarensis resulta em pelo
menos duas outras linhagens: o Australopithecus africanus e os Paranthropus boisel
e robustus. Os Paranthropus não deixam vestígios de evolução. O
Australopithecus africanus evolui para o Homo erectus ou Pitecanthropus, há
cerca de 2 milhões de anos.
Homo erectus
É o primeiro a usar objetos de
osso e pedra como ferramentas e como arma, a empregar o fogo e, provavelmente,
a falar. Parece ter sido o Homo erectus a última escala evolutiva até o homem
atual. Foi ele quem primeiro abandonou a África, com seu nomadismo,
espalhando-se pelo mundo. Antes de chegar à espécie atual – o Homo sapiens – ,
o homem passou por uma série de transformações, conforme atestam os fósseis
encontrados em Neanderthal, na Alemanha, e em Cro-Magnon, na França.
Evolui, há 700 mil anos, para o Homo
neanderthalensis (o homem de Neanderthal) e, há 500 mil anos, para o Homo
sapiens, do qual descende o homem atual. A evolução histórica dos hominídeos
até o Homo sapiens não ocorre de forma linear. Agrupamentos inteiros do gênero
Homo desaparecem em conseqüência de variações climáticas, condições geográficas
e outros fenômenos naturais.
Após uma longa evolução, que
se iniciou há cerca de 1 milhão de anos, os descendentes dos primeiros
hominídeos espalharam-se pela Ásia, África e Europa
Regiões de origem da espécie humana
Há pelo menos duas teorias
sobre o local onde surgem os antepassados do homem. A primeira sustenta, com
base na descoberta do afarensis, que a origem é a África, de onde teria
começado a se espalhar pelo mundo há 200 mil anos. A segunda apoia-se nos
achados de restos do Homo erectus em Java, Indonésia (1,8 milhão de anos), e do
Homo sapiens em Jinniushan, China (200 mil anos), e diz que a evolução de uma
espécie ocorre em diferentes regiões da Terra, em momentos nem sempre
coincidentes.
Divisão da Pré-história
As fontes pré-históricas
indicam que, nesse período, existiram diferentes culturas. Deduz-se que os
objetos inicialmente tiveram formas variadas e foram feitos de diferentes
materiais: madeira, osso, pedra lascada, pedra polida, metal.
A partir de constatações dessa natureza, dividiu-se a pré-história em três grandes períodos:
• Paleolítico ou Idade da
Pedra Lascada – período em que predominou a sociedade de homens caçadores.
• Neolítico ou Idade da Pedra
Polida – período em que se desenvolveu a agricultura e a criação de animais.
• Idade dos Metais – período
em que se desenvolveu a fundição de metais.
Essa divisão tradicional da
pré-história baseia-se em uma concepção evolucionista do processo cultural do
homem. Porém essa divisão é muito criticada, pois pressupõe que todas as
sociedades passaram pelas fases por ela estabelecidas, o que nem sempre
ocorreu. Apesar das falhas, é uma classificação adotada no mundo inteiro.
Paleolítico
A sociedade dos
caçadores-coletores
Durante o Paleolítico, o homem
tinha como principais atividades para obter alimentos: a coleta de frutos,
grãos e raízes; a caça e a pesca. Aprendeu a confeccionar seus primeiros
instrumentos com pedaços de madeira, osso e pedra. Os instrumentos de madeira
não se conservaram, restando os de osso e pedra lascada, que constituem os
predecessores mais antigos de machados, facas, perfuradores e raspadeiras.
O controle do fogo foi uma das
maiores realizações humanas do Paleolítico. Representou a primeira grande
conquista do homem sobre o meio ambiente. Passaram então a utilizá-lo para se
aquecer, iluminar a noite, defender-se dos animais, cozinhar os alimentos. Ao
longo do tempo, o controle do fogo permitiu, por exemplo, a fundição de metais
e o cozimento de argila. O domínio do fogo e a utilização das primeiras
ferramentas possibilitaram ao homem vencer dois grandes inimigos: o frio e a
fome.
Para garantir sua
sobrevivência, o homem teve de aprender a cooperar e a se organizar
socialmente. Da eficiência dessa cooperação social dependia, por exemplo, o
sucesso de uma caçada a um animal feroz e perigoso.
O modo de vida nômade foi
dominante em diversas comunidades, mas acabou evoluindo para formas sedentárias
à medida que o homem desenvolveu soluções para superar as dificuldades da
natureza. Surgiram, então, os primeiros clãs, formados por conjuntos de famílias
cujos membros descendiam de ancestrais comuns. Cada clã era autossuficiente,
produzindo o necessário para garantir a sobrevivência de seus membros. Não
havia a preocupação de produzir excedente para trocar com outros clãs ou de
acumular riquezas. As trocas eram realizadas apenas eventualmente. Assim, o
tempo dedicado ao trabalho limitava-se ao da obtenção do alimento necessário
para o grupo. O resto do tempo era preenchido com brincadeiras, festas, danças,
cerimônias, rituais, refeições, banhos etc.
O homem do paleolítico
desenvolveu surpreendentes manifestações artísticas: figuras entalhadas em
pedra, pinturas rupestres, modelagem em barro. A atividade artística parece
ligada a rituais mágicos, pois as pinturas e as esculturas, no geral,
representam animais que seriam caçados. Provavelmente, o homem paleolítico
acreditava que, dessa forma, poderia dominá-los antecipadamente.
Neolítico
A revolução agropastoril
A característica fundamental
do Neolítico está nas novas formas de relação do homem com o meio ambiente. De
modo geral, durante o Paleolítico o homem apenas colhia da natureza os bens
para satisfazer suas necessidades.
No Neolítico ocorreu uma
transformação radical: o homem passou a intervir decisivamente no meio
ambiente. Cultivando plantas e domesticando animais, conseguiu controlar as
fontes de sua alimentação. Assim, a sobrevivência humana foi se libertando das
mãos coletoras, passando a depender cada vez mais das mãos produtoras.
Essa mudança de comportamento
representou uma das mais extraordinárias revoluções culturais da História, pois
influenciou decisivamente no modo de vida do homem. No decorrer de um longo
processo, à medida que as atividades agrícolas e pastoris se consolidavam, o
homem foi abandonando a vida nômade e adotando sistematicamente o modo de vida
sedentário. Com a revolução agropastoril, as comunidades puderam produzir mais
alimentos do que o necessário ao consumo imediato. Passaram então, a
estoca-los, procurando garantir o abastecimento nos períodos de escassez. O
aumento da produção alimentar impulsionou o crescimento da população, que, em
relação ao Paleolítico, multiplicou-se cerca de 20 vezes.
Entre as principais
transformações que marcaram o período Neolítico, podemos destacar:
• Aperfeiçoamento dos
instrumentos de pedra – facas, machados, foices e enxadas, pilão para
transformar o grão em farinha etc. passaram a ser feitos de pedra polida.
• Cerâmica – a necessidade de
cozinhar e armazenar os alimentos levou o homem a criar recipientes que
suportassem o calor do fogo e pudessem conter líquidos. Assim, ele desenvolveu
a técnica de moldar argila, dando-lhe forma, e produziu os primeiros utensílios
cerâmicos.
• Tecelagem – o homem do
neolítico desenvolveu técnicas de fiar e tecer, acrescentando às suas
vestimentas de couro roupas feitas de linho, algodão e lã.
• Casas e aldeias – utilizando
madeira, barro, pedra e folhagem seca, o homem passou a construir sua moradia,
o que representou um incremento no processo de sedentarização que vinha se
desenvolvendo em decorrência da revolução agropastoril.
• Vida espiritual – com a
intensificação das atividades agropastoris, o homem neolítico adquiriu novos
temores e preocupações relacionados, por exemplo, à variação do tempo durante o
ano, à fertilidade do solo, à saúde e à reprodução de rebanhos etc. Para
enfrenta-los, invocava a proteção de forças “sobrenaturais”, realizando ritos
mágico-religiosos. Os menires e os dolmens provavelmente foram utilizados para
reverenciar essas forças.
• Uso da roda – calcula-se que
foram usadas grandes toras rolantes para transportar enormes blocos de pedra
dos menires e dolmens ao local desejado. Essas toras representam o início
rudimentar do emprego da roda, uma das mais extraordinárias invenções humanas.
Idade dos Metais
Uma nova revolução tecnológica
A Idade dos Metais
caracterizou-se pelo desenvolvimento e difusão do processo de fundição de
metais (cobre, bronze e ferro).
Por volta de 4000 a. C., as
primeiras sociedades do Oriente Próximo começaram a desenvolver a metalurgia,
ou seja, a utilização sistemática de metais para a fabricação dos mais variados
objetos. O primeiro metal foi o cobre. De início era martelado a frio, depois
fundido no fogo e colocado em moldes de barro ou pedra. Cerca de 2000 anos mais
tarde, desenvolveu-se a liga do cobre com o estanho, obtendo o bronze, um metal
mais resistente. O bronze passou a ser utilizado na fabricação de lanças,
espadas, capacetes, ferramentas e objetos de adorno. Os metais, muitas vezes,
eram extraídos de terras distantes das oficinas metalúrgicas.
O desenvolvimento da
metalurgia representou enorme conquista tecnológica, pois possibilitou a
produção de instrumentos e objetos resistentes, das mais variadas formas. Os
metais, em geral, são tão duros quanto a pedra, mas podem ser modelados na
forma de se desejar, ou seja, podem ser fundidos. A fusão do metal tornou
possível a confecção de vários objetos, como panelas, vasos, enxadas, machados,
pregos, agulhas, facas e lanças de metal. O trabalho metalúrgico exigiu
habilidade, conhecimentos especializados e disponibilidade de tempo.
Durante a Idade dos Metais, a
agricultura e as pequenas vilas começaram a dar origem às sociedades de grande
poder, como a do Egito e as da Mesopotâmia.
CivilizaçãoNovo estágio do
desenvolvimento social
Em várias regiões do mundo, as
comunidades primitivas sofreram grandes transformações culturais a partir da
revolução neolítica. O conjunto dessas transformações marca novo estágio do
desenvolvimento social conhecido como civilização.
O termo civilização começou a
ser utilizado na França, em meados do século XVIII, com um sentido
evolucionista de progresso. Segundo esse conceito, a humanidade passaria por
etapas sucessivas de evolução social. Assim, alguns cientistas montaram
classificações evolutivas em que procuraram enquadrar todas as sociedades,
desde o Paleolítico até os dias atuais. Nessas classificações, civilização
corresponderia às “altas culturas”, que seriam superiores às culturas
consideradas “primitivas”, “selvagens” ou “bárbaras”.
Grande parte dos
historiadores, antropólogos e demais estudiosos da atualidade rejeitam essas
noções de superioridade ou inferioridade cultural entre os povos. As sociedades
humanas são diferentes, mas não podem ser hierarquizadas numa classificação
linear. No entanto, o termo civilização continua bastante utilizado nos estudos
históricos apenas para referir-se a uma forma própria de organização social.
Nesse sentido, nas palavras do historiador Jaime Pinsky, civilização não é
elogio, e pré-civilizado não pode ser tomado como ofensa.
Alguns eventos costumam ser
associados ao surgimento das sociedades civilizadas, entre os quais destacamos:
• Aparecimento de classes
sociais – surgem ricos e pobres, exploradores e explorados, senhores e
escravos.
• Formação do Estado –
organiza-se um governo que administra a sociedade e controla a força militar
(exército).
• Divisão social do trabalho –
divide-se cada vez mais a atividade dos membros da sociedade, surgindo
trabalhadores especializados como metalúrgicos, ceramistas, barqueiros,
vidraceiros, sacerdotes, comandantes militares etc.
• Aumento da produção
econômica – com o desenvolvimento das técnicas agrícolas, da criação de animais
e do artesanato, a produção econômica cresce bastante. Além dos bens
necessários ao consumo imediato, as sociedades começam a produzir excedentes,
armazenando vários produtos para a troca comercial.
• Registros escritos –
acompanhando o nascimento das primeiras cidades, desenvolvem-se a escrita, a
numeração, os pesos e as medidas e o calendário.
O Crescente Fértil
A principal região do planeta
onde surgiram as primeiras civilizações de que temos notícia é chamada de
Crescente Fértil. Conhecida por esse nome devido ao seu traçado que faz lembrar
a Lua no quarto crescente, essa região abrange parte no nordeste da África, as
terras do corredor mediterrâneo e a Mesopotâmia.
Na região do Crescente Fértil,
situam-se parcial ou totalmente Egito, Israel, Líbano, Jordânia, Síria, Turquia
e Iraque. Muitas das áreas férteis, depois de séculos de exploração,
desapareceram e deram lugar a vastos desertos.
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